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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Um pequeno "chute" para um homem mas um grande salto para a humanidade

Acho que faz todo o sentido começar o post dizendo que o titulo do mesmo remete a uma frase dita em 1969 que todo mundo conhece. Talvez o desafio intelectual foi tão grande quanto.
Eu acho que pouca gente "viu" o que mais de espetacular aconteceu na abertura da Copa do Mundo FIFA 2014 no Brasil. Talvez até viram, mas não entenderam ou não deram "bola", pois o que importava era o Neymar e cia, não é mesmo? Pois é. Mas algo de muito incrível aconteceu. Talvez não seja uma revolução científica e tecnológica, mas um GRANDE avanço em Ciência e Tecnologia, e o melhor, sob a coordenação de um brasileiro.
O neurocientista Miguel Nicolelis reclamou do pouco tempo reservado ao "chute simbólico" com o exoesqueleto na transmissão da abertura da Copa do Mundo, nesta quinta-feira (12). O chute em uma bola de futebol foi dado por um paraplégico que usava o equipamento, um robô comandado pelo cérebro.
Parece pouca coisa? Com certeza não. Mas como a mídia não mostrou muito...então ainda as pessoas (maioria) ainda não conseguiram entender.
Na transmissão oficial, exibida por emissoras em todo o mundo, a cena durou sete segundos. Integrantes do projeto "Andar de Novo" (Walk Again) apareceram com o voluntário paraplégico, que estava em pé e já vestia o exoesqueleto. Ele deu um passo com a perna direita e movimentou a bola, recolhida por um menino caracterizado de árbitro de futebol. O momento vinha sendo preparado há anos por Nicolelis e sua equipe.
Inicialmente, a equipe de cientistas havia divulgado que o voluntário caminharia alguns passos para dar o simbólico "chute inaugural" do campeonato. Segundo o Comitê Organizador da Copa do Mundo, o "pontapé inicial" foi dado fora do campo de jogo, para não prejudicar o gramado por causa do peso do equipamento. Mas em vez disso será que não prejudicou muitos jovens, não só brasileiros como de outros países que estavam assistindo a se interessar mais por Ciência e Tecnologia?
Juliano Pinto, voluntário que deu o pontapé na abertura

O Projeto:
Mais de 156 pesquisadores de vários países integraram um consórcio responsável pela investigação científica, encabeçado pelo brasileiro Miguel Nicolelis, professor da Universidade Duke, nos Estados Unidos, e do Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra (IINN-ELS).
Instituto Internacional de Neurociências de Natal – Edmond e Lily Safra (IINN-ELS)
O princípio envolvido no funcionamento do exoesqueleto é a chamada "interface cérebro-máquina", que vem sendo explorada por Nicolelis desde 1999. Esse tipo de conexão prevê que a "força do pensamento" seja capaz de controlar de maneira direta um equipamento externo ao corpo humano.
No caso do exoesqueleto do projeto "Andar de novo", uma touca especial vai captar as atividades elétricas do cérebro por eletroencefalografia. Quando o voluntário se imaginar caminhando por conta própria, os sinais produzidos por seu cérebro serão coletados pela touca e enviados a um computador que fica nas costas da veste robótica.
O computador decodifica essa mensagem e envia a ordem aos membros artificiais, que passarão a executar os movimentos imaginados pelo paraplégico. Ao mesmo tempo, sensores dispostos nos pés do voluntário enviam sinais para a roupa especial. A pessoa, então, sente uma vibração nos braços toda vez que o robô tocar o chão. É como se o tato dos pés fosse transferido para os braços, naquilo que Nicolelis chama de "pele artificial".
Em 16 de maio, Nicolelis já havia anunciado em sua conta no Facebook a conclusão dos testes com voluntários. "Depois de meses de treinamento, os últimos dois voluntários andaram com a ajuda do exoesqueleto e puderam desfrutar da sensação de andar de novo", escreveu o neurocientista. O pesquisador batizou o exoesqueleto de "BRA-Santos Dumont I".
Ai fica uma pergunta? Será que o Prof. Nicolelis ou outro grande cientista brasileiro vai querer fazer algo na abertura da Olimpíadas de 2016? Acho que se depender da nossa mídia, a resposta é não!

Fonte: http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2014/06/cientista-reclama-de-tempo-curto-para-mostrar-exoesqueleto-em-abertura.html

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